Em que momento descobriu a sua vocação para o Ministério Pastoral?
Lendo um artigo do P. Jost Ohler, justamente no Jorev, sobre o fenômeno da migração de Agricultores à Amazônia, no início da década de 1970. O P. Ohler lançava o desafio Até quando estas pobres famílias pomeranas terão que esperar por um Pastor da nossa Igreja? Até quando o nosso discurso sobre missão deixará de ser apenas teoria? No início de 1972, interrompi a minha carreira na área da educação cristã, em São Bento do Sul/SC, e aceitei o desafio de ir ao encontro dos mais necessitados, no então Território Federal de Rondônia. Trabalhando e estudando, concluí a Faculdade de Teologia, em cursos de férias na Faculdades EST, em 1982. Hoje, com 40 anos de Ministério Pastoral, estou às portas da aposentadoria voluntária, tranquilo e ciente que a vida é uma grande escola e, a cada dia, nos oferece uma nova lição!
Quais foram os objetivos e os frutos colhidos desta ação?
Entre os objetivos, está o compromisso da nossa Igreja em acompanhar os seus membros em uma realidade migratória rumo às novas fronteiras. Hoje, os Sínodos da Amazônia e Mato Grosso são marcos da história e da formação de uma IECLB mais ecumênica e contextualizada em solo brasileiro, além de consequência de um trabalho missionário movido pela fé em Deus, no qual aprendemos a viver a vida compartilhando sabores e dissabores, na solidariedade e na confiança que Deus é tão grande que se faz pequeno por amor a nós.
Na Paróquia de Itapema, quais são as suas atividades?
Criada em 1997, a Paróquia de Itapema procurava um ‘Pastor garimpeiro’. Em uma realidade migratória rumo ao litoral de Santa Catarina, mais uma vez tive o privilégio de participar de um processo de formação de um novo campo de trabalho da IECLB. A Paróquia é formada por membros transferidos da IECLB e por gente oriunda de oito diferentes confissões religiosas. Um intensivo trabalho de visitação e formação de núcleos urbanos possibilitou um processo de convivência e irradiação do Evangelho. Reuniões, estudos e comunhão de mesa, nas casas, impulsionaram o crescimento e a visão comunitária com muita liberdade e transparência.
Que dificuldades e alegrias destaca no seu Ministério?
A grande dificuldade é a pouca coragem diante da força gigantesca da ideologia que rege as mentes humanas em uma sociedade de consumo em que as pessoas são o seu próprio deus e a Igreja e a fé cristã são meros disfarces para enfeitar as aparências. A questão é: como anda a nossa coerência entre fé e vida? Quem, afinal, é o nosso deus? Entre as muitas satisfações está a alegria de servir e o aprendizado que a vida é graça,
presente de Deus! Mesmo indignos e pecadores, Deus nos ama e, em Jesus Cristo, vem nos resgatar da morte, nos presenteando com o seu Reino.