Santa Ceia – Festa da vida
A Santa Ceia é Sacramento. Foi instituída pelo próprio Cristo. Martim Lutero, no Catecismo Maior, escreve É o verdadeiro corpo e sangue de Cristo, em e sob o pão e o vinho, que a palavra de Cristo ordena a nós, cristãos, comer e beber […] mas não simples pão e vinho, […] senão pão e vinho compreendidos na palavra de Deus e a ela ligados. É a palavra, digo, que faz e distingue esse sacramento. […] Quando a palavra se une à coisa externa (pão e vinho), faz-se o sacramento.
Não há uma transformação de substância (continuam sendo pão e vinho), mas Cristo está presente de maneira real e corpórea na Ceia. Ele está em, com e sob o pão e o vinho. Como isso acontece é um mistério, conforme Lutero. Esta união sacramental, porém, só existe em conexão com a celebração do sacramento.
O sacramento da Santa Ceia é comunhão plena com Deus. Somos acolhidos e servidos pelo próprio Cristo, que é, ao mesmo tempo, hospedeiro e alimento. O que Deus espera de nós é um coração contrito, aberto para receber e na certeza de que nada tem para dar ou retribuir a Deus. O ser humano impenitente, isto é, o que não vê a necessidade do arrependimento, não consegue ter comunhão plena com Deus, porque imagina que pode salvar-se a si mesmo. Na Santa Ceia, o pecado é denunciado e vem à tona por causa da dimensão comunitária.
Na Santa Ceia, a gratidão deve ser o denominador. O ponto de referência é a dádiva de Deus em Jesus Cristo. Aquele que agradece tem motivo de alegria e, onde a alegria prevalece, o sim para a vida torna-se o sentimento central. A Comunidade rende ações de graças pelas dádivas que recebeu por meio da vida, da morte, da ressurreição e da ascensão de Cristo.
Por meio da Santa Ceia, Deus nos concede perdão, reconciliação, vida nova, salvação e comunhão. O Espírito Santo é quem realiza a verdadeira comunhão do corpo e do sangue de Cristo e nos fortalece na fé. Em torno da mesa da Ceia,
Jesus Cristo nos alimenta para podermos continuar a caminhada em meio à situação de vida difícil, colocando sinais do Reino. Assim, somos renovados para lutar contra todas as formas de injustiça, de opressão e de desigualdade. A Ceia do Senhor não se coaduna com a falta de liberdade, de dignidade humana e com a ausência de comunhão. Ela precisa ter reflexos concretos na nossa vida, pois, necessariamente, nos coloca em uma nova e justa relação com o próximo.
Celebrar a Ceia do Senhor só tem sentido porque a cruz e a ressurreição de Cristo foram uma realidade e continuam sendo centrais para a nossa fé e para a nossa vida.
Para refletir, leia 1Coríntios 11.17-34
Santa Ceia – Quando celebrar e quem pode participar
A primeira ação das comunidades primitivas foi celebrar a Ceia do Senhor. Quando lemos Atos 2.42-47, encontramos a referência ao ‘partir do pão’. Os primeiros cristãos compreenderam as palavras de Cristo fazei isto em memória de mim, todas as vezes que estiverdes reunidos em meu nome (1Corintios 11). Assim, podemos dizer que a Santa Ceia é a fonte do culto cristão.
No tempo de Jesus, discípulos e discípulas podiam vê-lo e ouvi-lo, conversar com Ele, fazer-lhe perguntas e tocar nele. Hoje, isso não é possível, mas Cristo permanece presente. Para a Comunidade reunida ao redor da mesa, o Senhor se dá por inteiro, em pão e vinho. A Ceia do Senhor não sacia apenas fisicamente o nosso corpo, mas nos torna membros vivos e ativos. Conforme diz Lutero, a ceia nos é oferecida para que a fé tenha espaço, pois é um fogo que consegue acender os corações.
Para Lutero, é importante enfatizar que os sacramentos (Ceia e Batismo) são obras de Deus. É Deus que vem e presenteia o ser humano com o seu testamento divino, tornando-o digno. Não há meio humano de tornar-se digno, mas somente vestindo-se de Cristo. O que nos deixa participar da Ceia do Senhor não é o nosso poder de afirmar eu creio, mas é o poder de Deus que confere essa possibilidade. A eficácia dos sacramentos não depende de nós, mas é dádiva da graça. Deus faz os sacramentos acontecerem, embora as pessoas sejam livres para receber ou rejeitar a dádiva deDeus que neles se encontra. A Santa Ceia é sempre a mão estendida de Cristo à nossa fé falível.
Quem é batizado tem o direito de participar da festa do Reino, cujo anfitrião é Cristo. É Ele quem fez e faz o convite Vinde a mim, todos os que estais
cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei (Mt 11.28) ou, ainda, nas palavras da liturgia da Ceia, Venham, pois tudo está preparado. Quem convida é o Senhor. Em palavras de Lutero, em sua Ceia, Cristo é o cozinheiro, o garçom, a comida e a bebida.
A recomendação que encontramos no Livro de Culto nos lembra que, como Igreja aberta para a ecumene, se faça de forma expressa e afável o convite para que venham participar da comunhão de mesa todas as pessoas que creem no Ministério da presença real de Cristo na Ceia do Senhor.
O Guia da Vida Comunitária na IECLB, Nossa Fé-Nossa Vida, lembra que celebramos a Ceia na reunião com os irmãos e as irmãs: na Igreja, no lar, no hospital ou em outro lugar. Ao receber pão e vinho, o corpo e o sangue de Cristo, a Comunidade se torna um corpo (1Co 10.16-17).
Para refletir, leia Mateus 25.31-46

