O que é o Ministério ordenado? Há Comunidades que tendem a considerar o Ministro um empregado. Há o perigo de se transformar o Ministério em uma profissão. Há Ministros que, na tentativa de reconquistar a autoridade, tornam-se dominadores das Comunidades. Ao lado disso, a prática distorcida de alguns grupos religiosos e dos seus Pastores traz uma carga imensa de preconceito em relação ao Ministério.
A autoridade ministerial sadia, oriunda da ordenação para a pregação da Palavra e do conhecimento teológico, ficou abalada. A compreensão a respeito do Ministério na Igreja está confusa. Qual é o papel do Ministério com Ordenação em relação ao sacerdócio de todos os crentes? No que consiste a autoridade ministerial? Qual é a relação entre ‘vocação’ e ‘profissão’? São perguntas que devem estar presentes desde o chamado, ao longo da formação e por toda a vida do Ministro.
Em 1983, quando cheguei ao Morro do Espelho, em São Leopoldo/RS, para prestar Exame de Admissão na Faculdade de Teologia, um colega candidato entregou-me, em mãos, uma carta do meu Padrinho, Pastor da IECLB. Na carta, este se dizia surpreso com a minha decisão e, ao mesmo tempo, feliz com ela, mas alertou ‘A Teologia não pode ser simplesmente mais uma opção, é necessário que ela seja a opção’. O alerta me ajudou a entender, desde então, o quanto o Ministério compromete todo o viver de quem aceitou o chamado para nele servir e lançou um questionamento do por que desejo servir como Pastor e o que isto significa. Peço que Deus mantenha vivo em mim este alerta e questionamento.
É necessário garantir que aqueles que aspiram ao Ministério sejam confrontados com estas questões, mesmo que nos Centros de Formação estudem pessoas que não aspiram ao Ministério. A formação de um Ministro não depende somente de um bom conhecimento teológico e da instrumentalização para o trabalho, mas necessita estar ligada ao chamado, à espiritualidade e à consagração.
No Sínodo Vale do Itajaí, temos refletido, nas Conferências, a respeito do tema ‘autoridade ministerial’. Também no acompanhamento aos estudantes de Teologia, aos que estão no Período Prático de Habilitação ao Ministério (PPHM) e aos estagiários, as citadas temáticas têm sido trabalhadas.
Contextos
A nossa IECLB é multifacetada. Cada uma das nossas Comunidades tem a sua história. Somos uma só Igreja, mas com muita diversidade na forma de expressar a espiritualidade. As nossas diferenças culturais, sociais, econômicas e ideológicas são enormes. As necessidades dos nossos membros diferem de Sínodo para Sínodo. Também os nossos estudantes de Teologia, os nossos Ministros e os nossos Centros de Formação têm ênfases, histórias e pensares diversos.
A formação com vistas ao Ministério deverá promover o ensaio do respeito aos diferentes contextos e pensares. Os que aspiram ao Ministério deverão estar preparados para exercer a função com respeito e criticidade, sem impor a Comunidades e membros o seu jeito de pensar.
Assim como no PPHM os candidatos são desafiados a conhecerem realidades diferentes, a Direção da Igreja deve encontrar meios para garantir que, já nos Centros de Formação, seja incentivada a inserção comunitária em novas realidades. Pensar em contexto também aponta para a necessidade de encontrarmos novos caminhos para sermos Igreja em uma realidade cada vez mais urbana, na qual as nossas Comunidades estão inseridas.
Em 2011, buscando valorizar a nossa história, a atualização teológica no Sínodo Vale do Itajaí teve como tema o centenário de fundação do Sínodo Evangélico de Santa Catarina. A data da fundação também foi celebrada em culto. O planejamento estratégico do Sínodo agendou para 2012 uma consulta da Pastoral Urbana e uma atualização teológica sobre o tema.
Entender que somos chamados por Deus para exercermos o Ministério e estarmos preparados para pregar o Evangelho, com respeito, nos diferentes contextos da nossa IECLB são temas que devem estar presentes na capacitação para o Ministério e na formação continuada dos nossos Ministros.
Formação e vocação
Antes que te formaste no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saíste da madre, te consagrei e te constituí profeta às nações (Jr 1.5). Destas palavras, proferidas por Deus ao profeta Jeremias, brota o Lema bíblico para o ano de 2012 na IECLB. Uma palavra de vocação. É certo que vocação é um tema muito mais amplo que somente o chamado ao Ministério eclesiástico. Deus chama pessoas para serem bons profissionais em todas as áreas, bons pais e mães de família e bons líderes. Cristãos são chamados para servir a Deus com ética, responsabilidade e alegria em todas as ações.
Por outro lado, o Lema do Ano nos desafia a pensarmos nas vocações aos Ministérios ordenados na IECLB. Falam em ‘crise de vocações’. Parece que o chamado não alcança os ouvidos e os corações dos ´nossos jovens Jeremias´. Ao lado da crise nas vocações, percebem-se muitas crises no próprio Ministério. Ministros desmotivados, que não demonstram alegria em seu servir,terão dificuldades para motivar jovens a ouvirem e a aceitarem o chamado e a animar as Comunidades a viverem para servir ao Senhor.
A pergunta que nos move aqui é Como deve acontecer a formação funcional com vistas ao Ministério e a formação teológica contínua dos nossos Ministros para preparar bem os que aceitaram o chamado e para manter viva a paixão naqueles que têm dedicado a sua vida ao serviço da pregação, do ensino, da diaconia e da missão?